terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Recursos Humanos


Existe uma grande diferença entre liderar pelo poder e outra pelo exemplo. As pessoas gostam de ser bem tratadas, sentir que seus trabalhos são importantes e valorizados, gostam de ser respeitadas pelo seu trabalho.

Deixe eu contar uma pequena história que aconteceu comigo durante uma reforma aqui em casa.

Minha esposa quis construir um canil para nossos cachorros e fechou um orçamento com um parente nosso que aceitou fazer um bico durante um fim de semana.

Eu deixei na mão dela o controle da obra, somente para ver até a onde a história viria e jurei não interferir, pois queria que ela aprendesse um pouco mais sobre gerenciamento de pessoas.

Tudo iria acontecer conforme planejado em um sábado e domingo no máximo.
Chegando sábado, eu levantei bem cedo, fiz café e comprei uns pães e servi para os pedreiros (3 + o filho do nosso parente que veio brincar com meu filho de 2 anos) como de prache para dar uma força inicial na "empreitada".


E lá começaram eles a tocar a obra, pelo que minha esposa havia dito e eles por sua vez haviam entendido...
Claro que a cada 1 ou 2 horas ela passava para ver o andamento e mudava algo, gerando retrabalho, perda de material e stress. Era cimento jogado fora, mudança do desenho orinal e pressão desnecessária para manter o mais limpo possível durante o andamento.
Além disto o filho do pedreiro de 5 anos e meu piá de 2 anos não paravam de aprontar as suas. Eu cuidava das crianças e minha esposa preparava os almoço para todos.


A obra apesar do stress, contava com uma excelente manhã de sol....(até a chuvinha da tarde hehehe).
Quando chegou a hora do almoço notei a diferença no cardápio que minha esposa fez para nós e os pedreiros. Eu não gosto de distinções, eles perceberam a mensagem que ela quis passar. Que o pessoal que trabalhava mais duro, deveria receber algo mais "sutável" para trabalhar.

Passado o almoço, veio chuva e o clima de desânimo e stress. Meu parente vendo
no pepino que se meteu, pensou varias vezes em desistir da obra. Só não o fez
que tinha muito respeito por mim e por inúmeras ajudas que havia dado a família
dele no passado.

A tarde minha pessoa, mas uma vez, foi interferir na obra e disse q não estava
satisfeita, querem incluir mais novos items no projeto....

Os pedreiros, tentando recuperar o tempo perdido pela chuva no sábado a tarde, aproveitaram o horário de verão para ficar até mais tarde, para ver se continuavam
a cumprir o prazo....(no final viríamos que isto teria sido irelevante, pois não
haviamos terminado no domingo, e mais um final de semana seria necessário)

A noite, minha esposa desesperada, pediu para eu assumir a obra, porque ela não consigia mais mandar nos pedreiros, não tinha mais dinheiro para pagar os extras que ela havia solicitado e ainda por cima, já tinha se individado comprando mais material do que tinha para pagar.


Domingo, a recuperação....


Domigo levantei cedo, antes dos pedreiros, olhei a obra e decidi que
a primeira coisa que faria era terminar o projeto com qualidade, com segurança e extendo o prazo, sem pressão, pois não queria que a obra fosse abandonada.

Decidi me envolver e ajudar no possivel, puxei tijolo, comprei material, cortei custos com madeira, achando retalhos em casa mesmo.
Percebi, que as soluções propostas eram caras, porque havia uma pressa desnecessária da minha esposa e ainda uma má fé da parte deles que estavam insatifeitos com
a administração excessiva do lado dela.

Lá com eles, ajudei a puxar tijolo, preparar a massa, e procurar em casas de materiais que abrissem no domingo (Balaroti, abri as 10:00)

Tratei bem dos pedreiros, servi um bom almoço, conversei com eles, e todos puderam contar não só com minhas ordens, mas também com meu apoio.

Eles começaram a se engaijar com a obra, e ficaram até mais tarde para terminar tudo com qualidade.

No final, eu percebendo que realmente tinhamos alterado o escopo da obra. Propus um adicional de 100 reais que ajudou muito na moral da equipe.

Além do mais no final dei um carona até o centro de Curitiba e um troco para tomar uma cervejinha...


Neste ponto, eu tinha uma equipe engajada, que apresar de todos os problemas que enfrentaram se sentiram respeitados, e recompensados pelo trabalho que fizeram.

Sim eu exigi bastante deles, mas soube recompensar, não só com dinheiro, mas também estive presente, e eles viram que podiam contar comigo.

Esta pequena liçao vez com que eu pensasse no grande projeto que estou trabalhando hoje.

Moral da história....

Troque pedreiros por desenvolvedores.
Troque esposa pelo ex gerente de projeto
Troque sabado e domingo por um prazo inviável.
Troque eu, por vc. e pense a respeito...
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